A ninha

Maçã, vinagre, alface.

Preciso comer saudável, mas tô no hospital, Cesinha na UTI, tudo por um triz.

Precisa ser saudável, controlar o stress, não destemperar, agir com maturidade, escutar o outro. Precisa. 

"Você dá as costas para o médico". 

"Você não escuta as pessoas". 

Eu uno coisa a coisa pra dar conta do imperfeito. Nada se encontra. Caminho sai da rota, não tem rota.

Quatro dias em jejum, anos tomando dieta enteral. Ontem, ele pediu uma gaze molhada na boca pra sentir, um pouco, o gosto da água.

Esse gosto de todo dia, essa coisa banal, que é água. 

Uma questão de referência. 

A exigência de controle é banal.

Mais importa o quanto dá pra ser qualquer coisa. 

Fruta era bom comer mais, a sensação de não nutrir cansa. Corpo dói. Alma corrói.

Teve manga no almoço, peguei uma abobrinha pra ver se dava conta do recado. Não deu.

Não tem que dar.

O caminho segue no desentorto destino, cubo mágico.

Faço uma lista do que comprar, banquete de bem estar. Hoje tenho mais horinhas, não quero fazer nada com elas, além delas, só existirem.

Quero dormir.




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