Madame violência
A violência em volta da vida é sólida, presente, move, move. Uma mulher morreu, outra morre agora. Filha, prima, amiga, mãe, neta. Quem está aqui, do lado de fora, é quem vive na falta dela, com ela que deixa um rastro no ar que a gente respira. Essa lacuna fez sair do lugar, gritar, abrir nova perspectiva. Um muro quebrado no golpe e no sangue. Janela imaginária aberta, para viver com a imagem de alguém que sofre. Cabeça presa nessa imagem. Alguém que você ama sente dor na vida. Outra, morreu sem piedade alguma à crueldade toda. Abuso. Estupro. Ameaça. Medo. Uns mais, outros menos, está posto. Não se nega o que se apalpa nas mãos, nem o que dói sem corpo, já enterrado. Ama o que fica, que de pouco vira muito e reconstrói do nada alguma coisa fincada em um certo concreto. Solidariedade de chão. Corpo e matéria no oco. Eco de tornar-se íntegro, para si, para além.

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