Pomba Fantasma

Fui almoçar com minha amiga Rafaella hoje. Estamos trabalhando no mesmo lugar novamente. A gente se conheceu assim, produzindo. Legal que ouvi sobre o gerúndio neste final de semana. Foi meu professor Roque. Ele dizia que o gerúndio fala de acontecimento, fala de alguma coisa que é viva, porque quando há o gerúndio, há o fato. Pois bem, produzindo.
Nós nos conhecemos no cinema, na projeção e agora a gente se reencontra no conteúdo.
Uma nova forma.
Como chovia, ficamos embaixo de um toldo caloroso do bar da esquina. Pedimos uma delícia de PF com ovo. Engraçado porque eu não queria, mas o ovo veio mesmo assim. Sinal de que eu não posso mesmo evitar meu nascimento de gema clara e clara branca. Comi.
Falávamos de desejos e fantasmas.
Que do desejo pouco se sabe, que encontrar um é desconhecer o outro e chegar no outro é revelar o primeiro. Que dessa forma nada sabemos, tudo é mistério e possibilidade. Que o passado volta, que o sonho traz quem está longe, que as fronteiras de estreitam naquilo que me imagino ser, sermos.
E assim também chegaram os fantasmas, a Rafa falava ghost. Ele vem porque ele é parte da gente. Ele nos move, ele provoca, o fantasma quer ver e ser visto.
Tanto, tanto que levamos um susto tão grande!
Levamos o susto da materialização.
Uma pomba cinza, chumbo, ficou presa em cima da nossa mesa, podíamos tocá-la de tão próxima, ela se debateu e não encontrava saída.
Até que nós saimos para dar passagem ao pássaro sombrio.
Aí ela voou. Depois dos nossos gritinhos assustados.
Não pudemos ficar todos juntos.
Eu, Rafa e sombra/pomba.
Mas vimos ela ali, olhamos, corremos e voltamos ao nosso lugar.
Finalmente o toldo se abriu, entrou luz, entrou ar e cheiro de chuva molhada.
A pomba deve voltar, deve ficar presa e talvez a gente tenha que ficar ali também.
Hoje ficamos assim e voltamos a trabalhar.
E tudo isso era por causa da piadinha:
Rafa, tem uma pomba no seu feijão.
Ra ra ra

Comentários

Postagens mais visitadas