Daydream
Ouvir um grande mestre inspira principalmente no momento em que ele está próximo em fala, gesto e pensamento. Próximo pode ser imagem e som, é imagem e som. É um outro, sim, é grande esse outro. Enorme. Mas de um jeito lindo é ele quem diz que te ouve, chega a te conhecer sem saber nada de ti e é capaz de ficar bem colado mesmo. Uma sensação estranha passa a percorrer o corpo como se fosse uma grande heresia não acreditar no que você é, faz, tem pra fazer, gosta ou qualquer coisa. A dimensão da fé em si passou para outra instância, na medida que enquanto ele fala, você descobre que tem tudo ao seu alcance. Tudo está perto. Os recursos agora estão disponíveis. Tenho de agradecê-los. Então meu medo era defesa? Defesa pra não fazer? De medo? É muito gostoso escrever, delícia pintar, assistir um filme, cair em lágrimas de música, pensar, opinar. Mas...pode ser? Pode ser boa a vida? Iriam muitas páginas aqui pra falar sobre a culpa de desfrutar o próprio talento. Sim, culpa. Tanta gente não pode, de pais, de amigos, de gente de perto e de longe no mundo todo. Era mais nobre sofrer e desejar conforto, segurança, controle? Sabemos que não existem assim como querem. E custa ainda muito dinheiro e vida e dor fazê-los pilares incontestáveis. Há uma gravidade, inevitável, gravidade de ser puxada para seu centro com uma sensação de pertencimento entorpecedora. Toma toda sua nuvem, a carrega e traz de volta. Sua dinâmica de fé não cristã, não xiita, não diabólica, mas de alma, cresce e expande. Você passa a aceitar o fato de existir, se relacionar com o mundo, com suas ideias e com toda forma de amor. Chego a arder e sinto um sangue quente e vermelho subindo até a cabeça me fazendo rir descontrolada porque foi possível um minuto de pureza.

Comentários
Postar um comentário