Terra à vista!

Meu Fogo Verde Água 

Retorna depois de uma década, quase.

Melhor não pensar em razão, porque me levaria a um trancamento de quem acabou de tocar a madeira pela fresta de uma porta aberta.  Não é só isso, a porta vivia em um lugar distante, nem sempre sombrio, mas algumas. Ia chamar de reino, por ser de realidade que pouco se palpa, reino distante, além mar. Vou. O reino é bonito, tem natureza vibrante e sempre parece primavera, porque floresce, não porque não tem chuva, pântano e dias de pura noite. Não entendemos bem se pisamos de fato ou se o chão é um grande cenário do Guilhermo, esvoaçante, meio molusco movediço, meio algodão doce cor de rosa dos carrinhos da praça Dez de Março. Lá enchem seu copo de qualquer coisa que desejar para matar qualquer sede. Alimentam a fome que trata e maltrata. Figuras aladas, também de fogo. Um tipo daquele anjo, do filme, exterminador, nosso amigo bebedor de gin, o Luis. Mais: aponta pequenas passagens, possíveis desdobramentos, inspirações do escuro e mesmo das impossibilidades, te faz crer. 
Crer que tu é o que cativas, que tudo vale a pena do Fernando, lutar para conquistar lá na frente. São tantas. Mas crendo pelo menos se acorda todo dia. Um ano e depois dez. Agora são quarenta e quatro. Em escrita. Nos cadernos, inúmeros, dentro da cama baú, nas folhinhas em branco no final do talão de cheques de noventa e dois, guardanapos, folha rascunho, caixa de pizza, caixa de qualquer coisa, toalha papel do restaurante meio fosco e meio brilho. Blog.
Volta a crer que o lugar escondido do medo, o receio de ser lida, sobretudo por si mesma, possa ser considerado possível, senão o único. Terra firme. Pise, pise, pise. Terra firme. 
É preciso muita maltratação da gente pra não crer naquilo que não há sombra de árvores, campos e montanhas de dúvidas. As perguntas se repetem, um monte de novas, a que persiste. Por que é difícil fazer mais coisas que nos fazem bem do que as que nos fazem mal? Ela flutua com as estações do ano de um dia da cidade de São Paulo. O primeiro é o de iniciar um velho e novo desejo. Do reino para casa, a própria morada.





O passo 
e o movimento 
aquele história contínua
re a observe
a mesma,
totalmente nova.

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